Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos ~ minhas impressões

Terminal 3 Guarulhos_01

Gente, como vocês sabem (ou não!), voltei semana passada do Brasil. Como nós somos pobres nossa parada final é Uberlândia, a gente acaba sempre indo pelo aeroporto que tem passagens mais baratas ou as conexões mais convenientes, então fazia muitos anos que não passávamos por Guarulhos. Foi uma surpresa e tanto chegar no novo terminal mas, às 6 horas da manhã depois de uma noite em um avião, morrendo de sono, só rolou uma passada básica até o ônibus que faz o transporte até Congonhas. A única coisa que me chamou a atenção foi o tamanho do free shop – gente, aquilo é um shopping! Em Heathrow são duas portinhas com meia dúzia de perfumes, bebidas e cigarros, rs (na chegada, na partida também é um shopping centre e tanto!).

Já na volta pra casa, apesar do pepino/abacaxi/problema gigantesco que aconteceu (e que eu explico em outra oportunidade), já deu pra ter outra vivência do espaço. Nós almojantamos no aeroporto e minha primeira impressão não foi muito boa. O andar dos restaurantes me pareceu meio claustrofóbico, com o pé direito muito baixo em relação ao todo. Os elevadores são ridiculamente pequenos, duvido que caibam dois carrinhos. Faltam sinalizações claras de onde ficam as coisas importantes no aeroporto (eu precisava ir na ANAC e não tinha escrito em mapa nenhum onde fica, nem em placa nenhuma. Foram dois PMs que estavam passando que me disseram onde era. Fica no terminal 2, a quem interessar possa) e não achei um orelhão em lugar nenhum – se tinha, estava muito bem escondido. Tudo coisa pequena, mas que, na minha opinião, não deveria acontecer num terminal que acabou de ser inaugurado.

Fora esses percalços, a impressão é de estar num dos grandes aeroportos europeus: pé direito altíssimo, espaços amplos, estrutura metálica e vidro para todo lado – muito uso de iluminação natural. Bem diferente da vibe “concreto por toda parte” dos terminais 1 e 2.

Terminal 3 Guarulhos fachada 02 Terminal 3 Guarulhos foto fachada Terminal 3 Guarulhos portões de embarque Terminal 3 Guarulhos vista aérea Terminal 3 Guarulhos

Agora, normalmente eu falaria do projeto em si, mas vou confessar que eu precisaria de semanas para entender o que aconteceu ali – anos de demora, troca de arquitetos, enfim, uma grande confusão. Essa matéria da Infraestutura Urbana dá uma esclarecida para quem tiver curiosidade. Esteticamente, numa análise rápida, preferia o primeiro projeto. Engraçado que esse monte de volumes desencontrados fariam o coração da estudante de arquitetura Carolina suspirar, mas hoje já não me agrada tanto. Funcionalmente falando, é complicado comparar sem estudar os projetos e eu nem vou arriscar, já que corro o risco de fazer papel de boba. O que posso dizer é que o que foi construído funciona bem – na minha experiência. Vale a pena observar que nós estivemos ali em um domingo, que talvez seja um dia mais tranquilo, mas no geral foi uma experiência boa.

Terminal 3 Guarulhos implantação

Terminal 3 Guarulhos elevação leste-oeste 01 Terminal 3 Guarulhos elevação leste-oeste 02 Terminal 3 Guarulhos elevação leste-oeste 03 Terminal 3 Guarulhos elevação leste-oeste 04 Terminal 3 Guarulhos elevação norte-sul 01 Terminal 3 Guarulhos elevação norte-sul 02 Terminal 3 Guarulhos elevação norte-sul 03

Terminal 3 Guarulhos detalhe cobertura

Projeto arquitetônico: Engecorps Typsa

Imagens

Igreja Saint Laurence ~ Slough

Às vezes, nós moramos numa cidade por anos e nunca conhecemos todos os tesouros que estão escondidos por aí. Nesse fim de semana que passou, foi realizado um evento chamado Heritage Open Days, que é um festival de arquitetura, história e cultura. Vários locais históricos em toda a Inglaterra abrem suas portas gratuitamente para quem quiser conhecer. O espírito do festival é justamente apresentar o que está na porta da sua casa, no caminho do seu trabalho e que você ainda não conhecia.

Imbuídos do espírito da coisa, escolhemos visitar uma igreja que fica escondidinha na esquina de um parque que nós gostamos muito de frequentar.

A Igreja de Saint Laurence é o prédio mais antigo de Slough – que é, na verdade, uma cidade formada por vários vilarejos. Os registros datam de cerca 1150 dC e parte do edifício do período românico ainda existe, porém em restaurações mais recentes foram descobertas técnicas construtivas da época saxônica (anterior a 1066 e a conquista normanda), o que levam os estudiosos a acreditar que a igreja possa ter origens pré Cristãs.

Planta baixa com períodos
Planta do século XIX. Faltou o norte na planta, mas a igreja é orientada no sentido tradicional leste-oeste, ou seja, o norte é pra cima.

Ela não tem o formato em cruz típico das igrejas, mas para mim não ficou claro se ela nunca teve esse formato ou se devido à deterioração, adições, reconstruções esse formato se perdeu no tempo. A entrada principal fica na fachada norte.

Originalmente ela era ligada à Abadia de Merton e, com a Reforma e a criação da Igreja Anglicana, foi parcialmente destruída. Acabou caindo em desuso lentamente a partir do século XVII e no século XIX foi abandonada em favor de uma nova igreja, St Mary’s. Um fazendeiro local salvou o que restava da antiga igreja da demolição e levantou fundos para restaurar a igreja, que foi reconsagrada e reaberta em 1851 com o formato que conhecemos hoje.

Fachada norte da igreja St Laurence
Fachada Norte – século XII

 

Fachada sul da igreja St Laurence
Fachada sul – século XIX

 

Porta da fachada sul da Igreja St Laurence
Porta da fachada sul, reproduzindo o estilo românico

 

Altar - período românico
Altar – período românico

Arcos românicos igreja St Laurence

 

Os arcos dividem a parte românica (a esquerda) e a parte vitoriana.
Os arcos dividem a parte românica (a esquerda) e a parte vitoriana.
Estrutura do telhado medieval (à esquerda) e vitoriano - século XIX.
Estrutura do telhado medieval (à esquerda) e vitoriano – século XIX.

 

Estátua danificada na Reforma
Estátua danificada na Reforma

 

Igreja St Laurence interior

Os vitrais foram adicionados na restauração do século XIX
Os vitrais foram adicionados na restauração do século XIX

Igreja St Laurence - detalhes

 

A mais nova adição à Igreja foram os vitrais de Herschel. Na década de 1990, uma senhora deixou em testamento uma quantia de dinheiro para diocese de Oxford e pediu que fossem feitos vitrais inspirados pelo Salmo 8:

Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;
Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?
Salmos 8:3,4

As paróquias da diocese foram convidadas a apresentar projetos e St Laurence foi a vencedora devido à sua conexão com William Herschel. Herschel foi músico e astrônomo, e foi responsável pela descoberta do planeta Urano no século XVIII. Ele veio parar em Slough por causa da descoberta, já que o rei da época o chamou a Windsor e o nomeou astrônomo real. O astrônomo está enterrado dentro da igreja.

Vitral de Herschel na igreja St Laurence

A igreja vale uma visita para quem gosta de arquitetura religiosa e estiver nas redondezas. Dá pra ir a pé da estação de Slough ou de Windsor via Eton (me manda um email que eu dou as coordenadas – não confie no Google Maps!).

Igreja St Laurence

Upton Court Road

Slough

SL3 7LS

Concurso Internacional: jumpthegap

concurso internacional jumpthegap

Minha gente, estão abertas até o dia 25 de fevereiro as inscrições para o concurso internacional de design, jumpthegap, promovido pela Roca em parceria com o Centro de Design de Barcelona (BCD). O objetivo do concurso é encontrar conceitos inovadores e sustentáveis para o uso do espaço do banheiro.

O concurso tem duas categorias: jovens* arquitetos e designers e estudantes de arquitetura e design. São aceitas inscrições individuais ou em dupla.

O júri é composto por grandes nomes da arquitetura e do design mundial (incluindo Marcelo Rosenbaum) e serão distribuídos €15000 em prêmios – €6000 para os vencedores de cada categoria, mais €3000 para o vencedor da categoria especial sustentabilidade.

concurso internacional jumpthegap juri

As regras completas podem ser encontradas no site do concurso.

*Pessoas nascidas a partir de 01 de janeiro de 1980. Não sou mais jovem, oficialmente. Que saudade da minha juventude!

{Imagens: jumpthegap}

Livraria Foyles, por Lifschutz Davidson Sandilands

Hoje chegou minha cópia da revista Architects’ Journal da semana passada e dentro dela veio esse projeto da Livraria Foyles, que fica no centro de Londres.

Foyles - 1912-2014

Uma das livrarias mais famosas do mundo, a Foyles está na Charing Cross Road desde 1906. O prédio antigo, onde a loja funcionava desde 1929, já não atendia mais as necessidades da livraria. Então, em 2008, com a mudança da escola de arte Central St Martins para um novo endereço, a Foyles comprou o antigo prédio e, com projeto do escritório Lifschutz Davidson Sandilands, o transformou em uma loja de 5 andares, mais 13 apartamentos de luxo, que foram vendidos para financiar o projeto.

Foyles - fachada

Foyles 01

A ideia era criar um lugar que as pessoas queiram visitar, ao invés de comprar livros pela internet, então a ênfase do projeto é tornar a experiência de “navegar” pela loja o mais simples e prazerosa o possível. Isso, porém, não significa a negação total à tecnologia: ao se conectar ao wifi da loja, um aplicativo possibilita a busca de títulos por palavra chave e é possível não só verificar a disponibilidade dos livros procurados, mas também ser guiados até eles. A tecnologia a serviço das lojas físicas!

Foyles 03

Foyles 02

Foyles 05

Foyles - basement

Foyles - térreo

Foyles - níveis 1 e 2

Foyles - níveis 3 e 4

Foyles - níveis 5 e 6

Foyles - corte

Ainda não levei minha câmera para passear por lá, mas pretendo em breve!

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{Imagens: 1. 2 + plantas e corte: Architects’ Journal – 21.11.14. 3-8.}

A última de Yorkshire: a hospedagem

Veja bem, se eu tivesse ficado num hotel, ontem provavelmente teria sido o último post sobre essa viagem do final de semana. Por que, fala sério, qual seria a graça de fazer um post sobre quarto de hotel? Pouquíssimos – e certamente nenhum que caiba no meu bolso – hotéis tem alguma coisa arquitetônica ou decorativa que fuja do comum o suficiente para valer uma entrada no blog. Mas, aí é que está, nós não ficamos em um hotel…

 Placa chalé

Nós ficamos em uma…

carroça!
carroça!

Sim, minha gente, uma carroça. E uma carroça tão legal que eu resolvi postar aqui pra vocês verem.

Chalé exterior 01

Porta_chalé

Janela chalé

Chalé detalhes 01

O exterior é feito de chapas de metal corrugado, com esquadrias de madeira. Tem uma mesa na área externa, assim como uma churrasqueira – nas fotos ela aparece coberta por uma capa.

Chalé interior 04

Chalé interior 03

Chalé interior 02

Chalé interior 01

As paredes do interior são revestidas de madeira, assim como o piso. A cabine é equipada com uma geladeira, forno de microondas, chaleira elétrica e uma torradeira muito massa, que faz ovo cozido melhor que eu, além de uma televisão. Tem um forno a lenha, mas também tem um aquecedor elétrico.

A cabine tem capacidade para 3 pessoas e o que eu achei mais incrível foi como um espaço tão pequeno pode ser aproveitado de maneira tão eficiente, que nem parece tão pequeno assim. No site da empresa que fabrica as carroças tem um videozinho com a Ruth, a dona desse lugar, mostrando como ela é por dentro – e sem essa zona que nós deixamos, já que eu deveria ter tirado essas fotos quando chegamos, não quando saímos, rs.

O único porém desse lugar é que não tem banheiro, mas nem é uma coisa tão ruim assim: imagina que tamanho de banheiro seria se tivessem que colocar um aí? A solução que eles deram foi excelente: entre as duas cabines desse tipo que eles tem (eles tem várias outras maiores, estilo chalé), foi construído um chalézinho de madeira que funciona como um bloco de serviços. Lá tem uma cozinha, com máquina de lavar e de secar e dois banheiros, um pra cada cabine – banheiro grande, com chuveiros maravilhosos, totalmente valem a pena os 30 passos que você tem que dar para chegar lá – e uma sala separada, para limpar botas da lama (a parada é no meio do mato, gente!) e empréstimo de galochas para quem esqueceu as suas. Na cozinha também tem uma biblioteca e dvd-teca, uma porção de jogos de tabuleiro e de brincar ao ar livre e uma honesty shop: uma mini loja onde você pega o que quiser, o preço tá na etiqueta, você anota no bloquinho o que levou e deixa o dinheiro numa caixinha.

Nós gostamos muito de tudo e certamente voltaremos – quem sabe no verão, pra aproveitar um churrasquinho no fim do dia? Quem estiver indo pra essas bandas, o website deles está aqui.

Sobre a decoração: a maioria dos itens são da Cath Kidston, as almofadas de flores são da Dunelm.