Stirling Prize ~ Maggie’s Lanarkshire

Banner_Stirling Prize Maggies Centre

O segundo post do dia e terceiro da série (post 1. post 2.) é sobre o centro Maggie’s em Airdrie, na Escócia, projetado pelo escritório Reiach and Hall Architects.

Os centros Maggie’s são centros de apoio para pessoas com câncer e suas famílias, anexos à hospitais de tratamento do câncer. Foram idealizados por Maggie Keswick Jencks, que acreditava que uma atmosfera acolhedora era tão importante quanto o acesso a informação e suporte prático, emocional e social. Maggie faleceu em 1995 e, em 1996, o primeiro centro foi inaugurado em Edimburgo. Desde então, foram construídos 16 outros centros, todos projetos por arquitetos: a instituição acredita que boa arquitetura é vital para o trabalho que realiza. Na página de cada centro é possível ler informações sobre a arquitetura e os arquitetos que trabalharam no projeto, que incluem Rem Koolhaas, Zaha Hadid e Frank Gehry. Também não é a primeira vez que um centro Maggie’s é indicado ao prêmio: Rogers Stirk Harbour + Partners ganhou o prêmio em 2009 com o centro do Charing Cross Hospital, em Londres.

O projeto do centro do Monklands General Hospital é focado em jardins enclausurados: um prédio em um único pavimento, com um jardim em cada extremidade, cercados por um muro. A porta da frente, de vidro em uma estrutura metálica leve, permite a vista através de prédio, até o jardim dos fundos e o muro que os cerca. Internamente, uma faixa de 3 metros corre junto a uma das paredes, contendo espaços celulares, e uma zona de 5 metros, situada na parede oposta, abriga os escritórios e uma sala multiuso, onde atividades em grupos acontecem. O hall de entrada, a cozinha e a biblioteca foram distruídas entre as duas áreas.

01_Stirling Prize Maggies Centre 02_Stirling Prize Maggies Centre 03_Stirling Prize Maggies Centre 04_Stirling Prize Maggies Centre 05_Stirling Prize Maggies Centre 07_Stirling Prize Maggies Centre 08_Stirling Prize Maggies Centre 09_Stirling Prize Maggies Centre 10_Stirling Prize Maggies Centre 11_Stirling Prize Maggies Centre

Maggies Centre Site Plan

Maggies Centre pavimento térreoMaggies Centre Corte AA Maggies Centre Corte BB Maggies Centre Fachada Norte Maggies Centre Fachada Oeste Maggies Centre Fachada Sul

Imagens: AJ Library

Stirling Prize ~ Darbishire Place, Peabody Housing

Banner_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin

Bom dia, gente! Vamos hoje ao primeiro de dois posts de hoje e segundo da série (post 1sobre os finalistas do Prêmio Stirling: o projeto residencial Darbishire Place, desenvolvido pelo escritório Niall McLaughlin Architects para a associação Peabody, que é uma das “housing associations” mais antigas de Londres (abro um parêntese aqui para explicar o que são essas associações: são organizações não governamentais, sem fins lucrativos que constroem e alugam residências para a população de baixa renda).

O prédio, localizado em Whitechapel, no leste de Londres, completa um conjunto de seis edifícios em volta de um jardim central – o prédio original foi destruído na Segunda Guerra Mundial. O desenho do bloco residencial foi inspirado nos prédios originais da Peabody, projetados por Henry Darbishire nos anos 1860. Aberturas brancas e profundas em volta de janelas e sacadas contrastam com a fachada de tijolos e disponibiliza espaço suficiente para plantas nos parapeitos. As sacadas foram projetadas para a parte interna do edifício, para que a fachada plana seguisse o modelo dos blocos já existentes, e têm abertura em dois lados para aproveitar ao máximo a iluminação natural.

01_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin 02_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin 03_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin 04_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin 05_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin 06_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin 07_Darbishire-Place-Niall-McLaughlin Darbishire place croqui Darbishire place planta baixa 1 Darbishire place planta baixa 2 Darbishire place planta baixa 3

O prédio conta com 13 unidades – 3 de um quarto, 7 de dois quartos, 2 de 3 quartos e 1 de 4 quartos -, todas destinadas à habitação social.

Imagens: Niall McLaughlin Architects, Architects’ Journal

Stirling Prize ~ Burntwood School

Banner_Stirling Prize Burntwood school

Boa segunda, gente! Na próxima quinta-feira, dia 15 de outubro, será anunciado o vencedor do Prêmio Stirling do RIBA – então de hoje até quinta, vou apresentar pra vocês brevemente os seis projetos finalistas deste que é considerado o prêmio de arquitetura mais importante do Reino Unido. Para dar tempo de postar tudo até a premiação, amanhã e na quinta-feira eu vou postar dois projetos – um de manhã e um de tarde, fiquem ligados para não perder nenhum!

O primeiro projeto é a Burntwood School, projeto do escritório Allford Hall Monaghan Morris. Burntwood é uma escola secundária para meninas no sudoeste de Londres construída na década de 50 (apesar de apenas ter adotado este nome a partir de 1986), com uma configuração de campus – vários prédios de um ou dois andares com finalidades próprias, mais prédios de salas de aulas, de quatro andares, em uma grande área. Os blocos de salas, com o passar dos anos, foram se tornando inadequados para o currículo e quantidade de alunas. Construídos em 1958, tinham corredores estreitos e isolamento acústico ineficiente.

Burntwood school prédio antigo

Como não tinham grande valor histórico ou arquitetônico, foram demolidos para dar espaço aos novos blocos. Foram construídos também um prédio para artes performáticas e um ginásio de esportes. Os prédios da piscina e a assembléia, projetados pelo arquiteto Leslie Martin, foram mantidos.

01_Stirling Prize Burntwood school 03_Stirling Prize Burntwood school 04_Stirling Prize Burntwood school 05_Stirling Prize Burntwood school 06_Stirling Prize Burntwood school 07_Stirling Prize Burntwood school 08_Stirling Prize Burntwood school

Burntwood school site plan

Burntwood school pavimento térreo Burntwood school primeiro pavimento

Burntwood school corte Burntwood school vista

Para mais informações sobre o projeto, recomendo a leitura do PDF do projeto no site do escritório.

Imagens: AJ Building LibraryAllford Hall Monaghan Morris.

Syon House

Syon House banner

Na segunda passada eu falei da feira Decorex, que aconteceu no Syon Park. Hoje eu gostaria de falar sobre a residente permanente desse parque adorável no subúrbio de Londres, a Syon House.

Syon House fachada

O nome de ambos tem origem no monastério medieval da Ordem Brigidina que ocupava o local anteriormente. Reza a lenda que havia um túnel entre as freiras do monastério de Syon e os monges do priorado de Sheen – a primeira vez que ouvi essa estória foi sobre uma escola de freiras e um colégio de padres lá em Campinas, me parece que é uma lenda bem popular, rs. Com o piti rompimento de Henrique VIII com a Igreja em Roma, o monastério foi fechado e passou, por um breve período, a ser propriedade da Coroa.

No século XVI, passou a pertencer ao 1º Duque de Somerset, que construiu a casa no estilo renascentista italiano. Em 1594, a casa foi comprada pelo 9º Duque de Northumberland, Henry Percy, e continua pertencendo à família até hoje.

Syon House Ante Sala Syon House Grande Hall Syon House Jardim Interno Syon House Long Gallery Syon House Print Room Syon House Quarto da Princesa Victoria Syon House Sala de Jantar Syon House Sala Vermelha

Os interiores da casa foram projetados pelo arquiteto Robert Adams no século XVIII – o trabalho de reconstrução começaram em 1762 e cinco cômodos nos lados oeste, sul e leste foram terminados antes de o trabalho ser interrompido em 1769. Uma rotunda central, que deveria ocupar o espaço do jardim central, não foi implementada devido aos altos custos. 

syon house planta baixa

A estufa foi projetada nos anos 1820 pelo arquiteto Charles Fowler, que era especialista em edifícios industriais, e foi um dos primeiros a ser construído em estrutura metálica e vidro – na época, eram normalmente utilizadas estruturas de pedra.

Syon House conservatory

A casa fica em Brentford e a entrada custa £12 para visitar a casa, os jardins e a estufa ou £7 para visitar o jardim e a estufa (descontos para crianças, ingressos para família também estão disponíveis) – vale a pena dar uma passada no site para verificar os dias e horários de funcionamento, que mudam conforme a estação.

Imagens: Fotos. Planta Baixa.

Inspiração: casas vitorianas

casa vitoriana banner 01

Boa dia, gente! Sexta-feira chegou e com ela, a minha tradição semanal: post de inspiração! Estava um pouco em dúvida sobre fazer esse post porque eu não sou muito chegada em copiar períodos históricos em construções contemporâneas, mas acabei chegando à conclusão que inspiração não é cópia – tudo bem pegar elementos de tempos passados, re-significar, reinventar, se o contexto permitir, por que não?

E por que casas vitorianas? Bom, eu disse há muito tempo que gostaria de me mudar. E eu tenho um hábito estranho: todos os dias eu olho as casas à venda na região para onde eu quero me mudar. Não me julguem. Nessa busca, me apaixonei por casas vitorianas. Mas o que são casas vitorianas, Carolina? Então, eu ainda vou fazer um post pra explicar e mostrar um pouco da arquitetura britânica pra vocês (segunda vez que prometo, juro que logo sai!), mas tradicionalmente eles dividem os períodos de acordo com quem reinava na época. As casas vitorianas foram, então, as construídas no reinado da Rainha Vitória, entre 1837 a 1901 – apesar de alguns considerarem o período eduardiano dentro do vitoriano porque o reinado de Edward VII foi curto (só até 1910) e as características são praticamente as mesmas.

As casas vitorianas são muito comuns por todo o Reino Unido porque nessa época, com a Revolução Industrial, houve uma explosão da população urbana. São comumente terraced – não sei se há um termo em português para esse tipo de construção: são casas construídas em filas, dividindo paredes – apesar de, ocasionalmente, se encontrar construções geminadas (semi detached) e casas comuns (detached).

Típico terrace - fileira de terraced houses
Típico terrace – fileira de terraced houses

Pois então, após essa breve aula de história introdutória, vamos aos elementos que me fizeram morrer de amores por essas casas.

1. Bay windows

Olha, como tradução, encontrei janelas de sacada. Me parece uma tradução apropriada, mas confesso que esse não é um elemento que eu tenha encontrado antes de me mudar pra Inglaterra, então me perdoem a falta de certeza. Nome a parte, o que me encanta nesse tipo de janela é a luminosidade e a sensação de espaço que ela dá ao ambiente. Sem contar que é um elemento bem marcante na fachada – acho lindo, lindo.

janela de sacada bay window 00 janela de sacada bay window 01

Não basta a janela, quero a vista também.
Não basta a janela, quero a vista também.

2. Mosaicos

Os pisos em mosaico utilizados no período são lindos! Muito utilizados no exterior e no hall de entrada, mas já vi em outros ambientes do térreo também como salas de jantar e cozinhas. Reproduções são muito comuns, já que – infelizmente – às vezes o estado de conservação não permite a restauração. Os pisos originais eram de terracota, e as cores mais utilizadas eram o vermelho, azul, branco, preto e marrom.

casa vitoriana piso mosaico 01 casa vitoriana piso mosaico 02 casa vitoriana piso mosaico 03

3. Lareiras

Nesse período, as casas tinham lareiras em todos os cômodos – um dos motivos pelos quais as fileiras de casa dessa época tem uma (ou várias) chaminés de cerâmica. O que me encanta nas lareiras vitorianas é o exterior – geralmente feitos de pedra, mármore ou madeira, às vezes decoradas com azulejos.

casa vitoriana lareira 01 casa vitoriana lareira 02 casa vitoriana lareira 03

Várias lareiras, uma chaminé - é assim que elas se encontram no sótão da casa.
Várias lareiras, uma chaminé – é assim que elas se encontram no sótão da casa.

4. Vitrais

Muito utilizados em portas e janelas por causa do estilo neogótico da época. Eu acho que contribui muito pro aspecto de chic que essas casas tem – obviamente, é o conjunto dos elementos, mas sem os vitrais, parece que não teriam tanta graça.

casa vitoriana vitrais 01 casa vitoriana vitrais 02 casa vitoriana vitrais 03

E a última coisa: pé direito alto! Pode parecer bobagem, mas as casas contemporâneas daqui tem uma tendência a ser levemente claustrofóbicas por causa do pé direito baixo. Eu vejo essas casas e fico me imaginando com toda essa luz e espaço, hahaha. Um dia, quem sabe. Um dia. 🙂

Imagens: Topo1. 23. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14