Muxarabi ou cobogó?

Bom dia, gente! Hoje vou falar um pouquinho sobre esses elementos arquitetônicos: o muxarabi e o cobogó. Vejo bastante confusão a respeito do que é o que e gostaria de deixar aqui a minha versão (*risos*).

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Bom, primeiramente, o que é o que?

Muxarabi (também chamado muxarabiê) é um elemento arquitetônico com origem na arquitetura árabe. É uma espécie de treliça de madeira que serve como fechamento para janelas e balcões, permitindo a ventilação e o “ver sem ser visto” – quem está dentro vê o que está do lado de fora, mas não o contrário. Especula-se que, originalmente, servia para manter a água de beber fresca, mas é ligada, desde o século XIV, à função de refrescar pessoas e, ao mesmo tempo, preservar sua privacidade enquanto dá liberdade para observar o que se passa do lado de fora.

Trazidos para o Brasil pelos portugueses, foram muito usados no período colonial e, infelizmente, destruídos quase na totalidade quando a corte portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro. Oficialmente, o motivo era que o país deveria perder os ares de colônia e se aproximar da arquitetura neoclássica que estava sendo produzida na Europa – mas conta-se que o Príncipe Regente tinha medo de emboscada e por isso não gostava dos muxarabis (fonte).

Muxarabi em Diamantina (MG)

Muxarabi em Diamantina (MG)

Já o cobogó é um elemento vazado inventado no Brasil no século XX. O seu nome é resultado da junção da primeira sílaba do sobrenome dos criadores, os engenheiros Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis. Inicialmente produzido em cimento – e atualmente em uma gama de materiais -, o objetivo do cobogó é facilitar a ventilação e iluminação.

O cobogó foi muito utilizado na arquitetura modernista – inclusive por Lucio Costa, para remeter ao uso histórico do muxarabi – e, aparentemente, está na moda novamente. Não é para menos: além da beleza plástica, o elemento vazado tem propriedades que fazem dele uma peça muito útil na arquitetura bioclimática.

Biblioteca da UFU - Campus Sta Mônica ~ arquitetura Zimbres e Luis Antonio Almeida Reis

Biblioteca da UFU – Campus Sta Mônica ~ arquitetura Zimbres e Luis Antonio Almeida Reis

Edifício Bristol ~ arquitetura Lucio Costa

Edifício Bristol ~ arquitetura Lucio Costa

Casa Jardins ~ arquitetura CR2 Arquitetura

Casa Jardins ~ arquitetura CR2 Arquitetura

E o que uma coisa tem a ver com a outra? Bom, as funções são parecidas e já li que o cobogó foi inspirado no muxarabi. Eu gosto de pensar que é uma evolução: o muxarabi inspirou o cobogó, que inspirou outros elementos vazados, como os utilizados pelo Marcio Kogan na Casa Cobogó.

Casa Cobogó ~ arquitetura Studio MK27

Casa Cobogó ~ arquitetura Studio MK27

As linhas curvas, desenhadas com perfeição remetem à arquitetura de Brasília de Niemeyer; além disso, os módulos de concreto têm como seus ancestrais os cobogós – que dão nome a casa – criados em Recife e difundidos por Lucio Costa em delicadas referências à arquitetura colonial.

Jean Nouvel, por outro lado, usa bastante em sua arquitetura – especialmente no Oriente Médio – referências aos muxarabis.

Louvre Abu Dhabi ~ arquitetura Jean Nouvel

Louvre Abu Dhabi ~ arquitetura Jean Nouvel

Burj Qatar ~ arquitetura Jean Nouvel

Burj Qatar ~ arquitetura Jean Nouvel

Instituto do Mundo Árabe ~ arquitetura Jean Nouvel

Instituto do Mundo Árabe ~ arquitetura Jean Nouvel

Bom, espero ter esclarecido quaisquer dúvidas e se alguém tiver alguma pergunta, dá uma passadinha lá na página do Facebook ou manda um email! 🙂

Imagens: BannerDiamantina. Biblioteca UFU. Edifício BristolCasa Cobogó. Casa JardinsLouvre Abu Dhabi. Burj Qatar. Instituto do Mundo Árabe.

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